quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

SONETO

AOS PASSARINHOS

Pedro Paulo Paulino

Mantenho todo dia um ritual
Que intimamente faz-me muito bem:
Arremessar mancheias de xerém
Aos passarinhos livres no quintal.

E logo um bando alegre de aves vem
Pousar, ruflando as asas, no local.
Dentre elas, o canoro cardeal
E os bem-te-vis que ali pousam também.

Se os passarinhos, por sinal, têm crença,
Talvez ser livre seja a crença deles,
E semelhante é nossa recompensa:

Vendo-os libertos de gaiola ou grade,
Identifico-me demais com eles,
Pois é também meu credo a Liberdade.

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