segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

SONETO

QUIXOTISMO

Pedro Paulo Paulino

Quisera ser às vezes Dom Quixote,
De escudo e lança e rígida armadura,
Ir pelo mundo à cata de aventura,
Montado em Rocinante a todo trote;

Velar por minha amada em noite escura,
Fazer de alguma estrela o meu archote,
E ter da fantasia o extremo dote,
Como o da triste, singular figura.

Mas para ser Quixote cavaleiro,
Se por um lado tenho Rocinante,
Por outro lado falta-me escudeiro.

E ainda tendo-os, abandono a ideia
Por falta do não menos importante
Fundamental amor de Dulcineia. 

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