domingo, 26 de março de 2017

CORDEL


ENGOLIMOS MAIS MENTIRA
OU CARNE COM PAPELÃO?

Pedro Paulo Paulino

Já comemos vaca louca,
Bebemos coca com rato,
Tudo quanto é porcaria
Rebolam no nosso prato.
Sendo assim, por que razão
A carne com papelão
Fez tamanho espalhafato?

Agrotóxico não falta
Na mesa diariamente.
Transgênico todo dia
Na comida está presente.
Por trás de bela embalagem,
O produto é uma miragem
Jogada aos olhos da gente.

Os legumes e as frutas
São quase artificiais,
Hormônios são injetados
Em todos os animais.
Temos de sobra na mesa
Produtos que com certeza
Trarão efeitos letais.

Mas de todo esse cardápio,
O prato mais indigesto
É esse que a mídia serve
Como forma de protesto.
No fundo, é outra a verdade,
Porém o boato invade
E toma conta do resto.

Prato sujo, que é servido
Bastante contaminado.
Aquele que dele prova
É logo contagiado.
Portanto, pra se livrar
Do perigoso manjar
Precisa muito cuidado.

O seu principal tempero
É sempre especulação,
Jogo de fala e de imagem
Para fazer confusão,
Estardalhaço e auê
Que faz confundir você
Com a pior intenção.

À noite a televisão
É sempre quem serve a ceia
Nos lares de todo mundo,
Da Capital à aldeia;
Com seu imenso aparato,
Todo dia o nosso prato
Com veneno bombardeia.

Operações acontecem
Como um rolo compressor,
E o que era da justiça
Se espalha a todo vapor.
Alegam falso motivo,
Porque sempre o objetivo
É destruir um setor.

Um setor da economia
Importante e nacional,
Como o desmonte já feito
Com nossa indústria naval
E na construção civil,
Pra derrubar o Brasil
No ranking internacional.

Quem não lembra do Brasil
Produtor de algodão?
O primeiro em todo o mundo
No ranking de exportação,
Mas de repente um inseto
Invadiu foi por completo
Toda a nossa plantação.

Um inseto do outro mundo,
Mas um mundo americano,
Colonizador dos fracos,
Prepotente e soberano,
Que joga tudo no abismo
Do seu vil capitalismo
Selvagem quanto tirano.

O cenário, ultimamente,
Era o mais alvissareiro:
Brasil, como exportador
Se destacava o primeiro
Em frango e carne suína,
Além de carne bovina,
No ranking do mundo inteiro.

Mas um fato desastroso
Turvou todo esse horizonte.
De boato, pela mídia,
Logo se espalhou um monte.
E a nossa economia,
Num gesto de covardia,
Passou por mais um desmonte.

Mais uma vez o país
Mergulhou naquele inferno
De chão desmoralizado,
Humilhado e subalterno;
De mais um golpe refém,
Cedendo tudo o que tem
Para o capital externo.

Nem sempre investigações
São para cobrir malfeito.
Lá por trás a coisa é outra,
Mas o boato é aceito.
Há negócio escuso à vista
E sempre um velho golpista
É só quem tira proveito.

Maldito capitalismo
Sem alma e sem coração
Que consome o próprio homem,
Corrompe nossa visão
E deixa o mundo intranquilo:
Mais difícil é digeri-lo,
Que carne com papelão.

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